Uma nova Buzzword: Fog Computing

Já há algum tempo fala-se muito em Cloud Computing, ou Computação em Nuvem – o armazenamento e eventual processamento de dados em grandes servidores remotos pertencentes a terceiros, permitindo que as empresas não precisem de equipamentos de computação poderosos e sofisticados.

A ideia é que a partir de computadores pessoais, tablets e smartphones se passe dados à nuvem, se determine seu processamento e se receba os resultados desse processamento; ao armazenarmos dados no Google Drive ou ao acessamos o Facebook, estamos utilizando esse conceito que chegou com força às empresas, a ponto de empresas de consultoria estimarem que a nuvem movimentará em 2019 nada menos que US$ 141 bilhões em todo o mundo, mais que dobrando os US$ 70 bilhões movimentados em 2015.

Fala-se agora em Fog Computing, ou Computação em Névoa. A ideia é que se estenda a capacidade computacional e de armazenamento de dados para dispositivos mais próximos do ponto onde os dados são coletados. E por que isso seria interessante? Porque o volume de dados que estão sendo gerados, armazenados e processados vem crescendo de forma muito intensa: acredita-se que até 2019 serão gerados cerca de 507,5 zettabytes (1 zettabyte = 1 trilhão de gigabytes); a transferência desse volume de dados aos grandes servidores da nuvem exigiria recursos de grande monta.

Boa parte desses dados deve desencadear a necessidade de ações quase que instantâneas: um carro sem motorista recebendo a informação de que o semáforo fechou, uma câmera percebendo a presença de um intruso, um sensor detectando que os batimentos cardíacos de um paciente sofreram alterações bruscas. Teríamos duas possibilidades nessas situações: uma delas, termos dispositivos de processamento caros e sofisticados no carro e no semáforo e próximos à câmera ou ao paciente ou então dispositivos mais simples não tão próximos mas não tão distantes – seriam dispositivos como roteadores, switches ou similares que teriam capacidade de processamento maior que os atuais e que poderiam sinalizar a necessidade de ações, como por exemplo frear o carro ou disparar alarmas no caso do intruso ou do paciente.

O que não seria viável seria transferir todos os dados para a nuvem, mais remota, em função da necessidade de resposta imediata (segundos ou frações) e de custos, transferindo grandes volumes de dados – como quando o sinal estivesse verde, o paciente em situação normal ou a câmara sem detetar nada, os dados não seriam transferidos.

Há diversas formas de se utilizar fog computing – a acima descrita é apenas uma das possibilidades. O que parece, é que em breve teremos mudanças no atual cenário de armazenamento e processamento de dados.

Por: Vivaldo José Breternitz, professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo.