Saiba o que o WhatsApp fez comigo

Formulei uma polêmica opinião sobre o século 21: temos o privilégio de testemunhar e acessar as facilidades da tecnologia, mas não temos a devida maturidade para lidar com tanta inovação.

Liberdade! Essa é a palavra que resume os 30 dias que decidi ficar afastado do WhatsApp, um dos mais famosos aplicativos de comunicação nos dias de hoje. Talvez você tenha franzido a testa ao ler a abertura desse artigo. Isso porque a declaração parte de um profissional que trabalha com mensagens, textos e que também faz da interação um instrumento de trabalho. Optei por ser a cobaia nesse experimento que gerou muita polêmica. Continue comigo e mergulhe em minhas observações.

Tenho diversos contatos em meu smartphone e sem sombra de dúvidas essa lista imensa reflete no WhatsApp. De minuto a minuto recebo alertas que tratam da chegada de uma pergunta, aviso, links, áudios ou vídeos. Por outro lado, conheço pessoas e empresas que fazem do aplicativo um canal de atendimento ao consumidor. Em uma era onde a instantaneidade virou uma rotina, nada melhor do que uma ferramenta que envie mensagens em tempo real e de forma gratuita. No meu caso, utilizo o App* para atender a determinados grupos de conversação e compartilhar links com os textos que produzo. Mas o simples fato de desconectar minha mente dessa maravilha da tecnologia nas últimas semanas fez com que eu vivenciasse algumas experiências e faço questão de listar cada uma delas para refletirmos juntos. Se prepare:

– Dores de cabeça e postura: a incidência de dores de cabeça que surgiam de forma repentina chegou a quase zero. Incômodos na base do pescoço também diminuíram. Sempre apareciam quando eu ficava um longo período “olhando para baixo” para responder a todas as demandas que chegavam no WhatsApp;

– Gerenciamento do tempo: consegui organizar a leitura de capítulos de livro, produção de textos, projetos e itens do cotidiano;

– Acolhimento: sem a “responsabilidade” de ficar grudado ao celular para atender aos chamados eu pude oferecer mais tempo de diálogo face a face para minha família e amigos;

– Planejamento: em função do tempo melhor aproveitado eu pude planejar minhas atividades diárias com muito mais cuidado e sem a tão agonia de correr com as anotações para mergulhar no aplicativo.

Em nenhuma hipótese estou fazendo campanha para abandonarmos a ferramenta. Para se ter uma ideia retornei ao uso agora pouco e já estou usufruindo dos benefícios dessa tão revolucionária forma de comunicação. Minha experiência aconteceu para mostrar que não podemos resumir nossa vida à tela de um smartphone, tablet ou computador. Nessa jornada de 30 dias off-line avaliei meu afastamento do WhatsApp mas poderia ser com qualquer outro software disponibilizado por empresas concorrentes. Prova disso é quando a justiça faz o bloqueio do aplicativo: em questões de segundos uma migração gigante acontece para outros serviços similares. Avalio esse evento à um resultado da era pós-moderna e, se observarmos com o devido cuidado, temos inventado coisas para ganharmos tempo, mas, na verdade, estamos ficando sem esse precioso recurso a cada dia. Garanto que você em algum momento disse que 24 horas não são suficientes para fazer tudo o que precisa. Por isso te pergunto: uma análise estratégica de seus compromissos mostrará um acúmulo de tarefas (sei que isso é realidade para alguns) ou o mal-uso do tempo?

Formulei uma polêmica opinião sobre o século 21: temos o privilégio de testemunhar e acessar as facilidades da tecnologia, mas não temos a devida maturidade para lidar com tanta inovação. A surpresa é tamanha que valorizamos a máquina e esquecemos do ser humano, não importa a idade. Meu alerta não é contra a chegada da informatização e sim quanto a maneira como recebemos e vivemos com elas. É uma questão de prioridade. Se você faz uso dessa “nova onda” para o trabalho, parabéns! Use e abuse daquilo que pode minimizar seus custos e ampliar a captação de clientes, mas recomendo que coloque um horário para viver a vida. Se você está no grupo dos que ficam diariamente plugados, perdendo tempo lendo, assistindo e ouvindo coisas que banalizam até mesmo os valores familiares, cuidado. Conheço clínicas que além de receberem viciados em narcóticos cuidam de dependentes da web e isso inclui o uso mais do que anormal de ferramentas vinculadas a internet. Uma rápida busca no Google exibirá matérias jornalísticas que tratam do tema em todos os continentes, sem exceção.

Jamais escondi minha admiração pelos ensinamentos bíblicos. Cerca de três mil anos atrás o grande Rei Salomão, inspirado por Deus, registrou que há o tempo certo para tudo. Esse famoso trecho está no livro de Eclesiastes, capítulo 3, versos de 1 a 8. É uma mensagem tão apropriada que fiz uso dela em outros textos. Recomendo a releitura, reflexão e prática.

Quer ser uma pessoa que faz a diferença na vida dos outros? Entenda que há um mundo de oportunidades que extrapolam a distância entre seus olhos e a tela do celular. Tudo em excesso faz mal. Pense nisso!

Por: Diego Nascimento via Administradores.com