Iridium: o fracasso que ensinou à Motorola (e ao mundo) a força devastadora da inovação

E é na busca por inovar que muitas empresas esquecem de fazer um planejamento real de suas previsões e o andamento prático do mercado.

Um dos principais pontos que define o sucesso de uma empresa é o seu potencial de inovação. Em uma época altamente tecnológico e com rápida multiplicação de empresas e startups, fica cada vez mais difícil lançar um produto realmente inovador e interessante para os usuários antes que ele seja ultrapassado por outra solução ainda mais útil.

E é na busca por inovar que muitas empresas esquecem de fazer um planejamento real de suas previsões, o andamento prático do mercado e, por fim, terminam por lançar produtos desatualizados e obtendo péssimos resultados, perdendo espaço e o controle dos negócios.

Um excelente exemplo disso é a Iridium, empresa criada pela Motorola Inc. no final da década de 80 com o intuito de capturar a indústria emergente de telefonia móvel. As histórias da Iridium e de várias outras empresas foram retratadas no livro “Organizações Exponenciais: Por que elas são 10 vezes melhores, mais rápidas e mais baratas que a sua (e o que fazer a respeito)”, dos autores Salim Ismail, Michael S. Malone e Yuri Van Geest, que discutem sobre o ritmo de crescimento acelerado das organizações exponenciais e apontam porque nenhuma empresa conseguirá acompanhar tal ritmo se não estiver disposta a desenvolver uma cultura tão tecnologicamente inteligente, adaptável e abrangente quanto o novo mundo em que vai operar – e, no final de tudo, transformar.

Para isso, os autores pesquisaram exaustivamente os padrões das empresas exponenciais mais importantes do mundo nos últimos seis anos, como é o caso do Waze, Tesla, Airbnb, Uber, Xiaomi, Netflix, Valve, Google (Ventures), GitHub, Quirky e mais 60 outras empresas, incluindo gigantes e tradicionais, como GE, Haier, Coca-Cola, Amazon, Citibank e ING Bank.

Além disso, eles entrevistaram mais de 70 líderes globais e pensadores, visando trazer uma nova e ampla visão sobre as tendências organizacionais e tecnológicas essenciais, que podem ser aplicadas em startups, empresas de médio porte e também nas grandes organizações.

A Iridium

No final da década de 1980, a Motorola Inc. criou uma empresa chamada Iridium, com o objetivo de se destacar na novata indústria de telefonia móvel.

Na época, a Motorola percebeu que as caras soluções de telefonia móvel seriam inviáveis em regiões afastadas e com baixa densidade de pessoas, como as áreas rurais, por exemplo — algo que acontece hoje em dia com a implementação das antenas de rede 3G/4G no Brasil.

Segundo a Motorola, o custo das torres de telefonia celular giraria em torno de U$$ 100 mil cada. Com isso, a empresa buscou uma solução para o problema e identificou uma oportunidade em uma constelação de 77 satélites presentes na órbita terrestre. Os satélites ofereciam a cobertura completa do globo terrestre por um preço único.

Com isso, a empresa concluiu que se “apenas” um milhão de clientes pagassem US$ 3 mil por um telefone via satélite, além de US$ 5 por minuto de ligação, a rede de satélites se tornaria rentável e o uso de antenas terrestres e mais caras seria dispensável.

O problema é que a década de 80/90 foi extremamente rápida no quesito evolução tecnológica e as novatas, caras e lentas antenas terrestres passaram por um processo de barateamento e expansão na qualidade das chamadas e velocidades, dispensando assim o uso dos satélites adquiridos pela Motorola. Ou seja, outras empresas lançaram redes com antenas terrestres e a tecnologia da Iridium foi ultrapassada. O prejuízo? US$ 10 bilhões.

Segundo Dan Colussy, que administrou a aquisição da Iridium, em 2000, a recusa da empresa de atualizar as premissas do negócio foi o principal erro da empresa. “O plano de negócios da Iridium foi fixado 12 anos antes de o sistema entrar em funcionamento”, lembra ele, em um trecho disponível no livro “Organizações Exponenciais”.

“Isso é muito tempo, o suficiente para ser quase impossível prever onde a última palavra em comunicação digital estaria no momento em que o sistema de satélites finalmente estivesse pronto. Nós, portanto rotulamos isso como um momento Iridium – utilizar ferramentas lineares e tendências do passado para prever um futuro em aceleração”, explicam Salim Ismail, Michael S. Malone e Yuri Van Geest, autores de “Organizações Exponenciais”.

O livro também retrata outro momento similar ao da Iridium, o caso Kodak. A empresa declarou falência em 2012, anos após, segundo os autores, ter inventado e rejeitado a câmera digital. O curioso é que, na época da falência, o Instagram — plataforma que faz uso da tecnologia de fotografia digital — foi vendido para o Facebook por nada menos que US$ 1 bilhão.

Através do case da Motorola e da perda da Kodak para o Instagram e tantas outras empresas digitais, percebemos como a concorrência de muitas das empresas americanas da Fortune 500 não está mais vindo da China ou da Índia, mas sim de startups criadas em garagem, com tecnologias em crescimento exponencial.

Os autores também citam o caso do YouTube, que passou de uma startup financiada por cartões de crédito para uma empresa comprada pelo Google por US$ 1,4 bilhões, em apenas um ano e meio. A Uber, atualmente avaliada em U$$ 17 bilhões, dez vezes o valor de apenas dois anos atrás, também é uma empresa de destaque no quesito crescimento exponencial.

“Bem-vindo ao novo mundo da Organização Exponencial, ou ExO. É um lugar onde, como a Kodak, nem a idade, nem o tamanho, nem a reputação, nem mesmo as vendas atuais garantem que você estará vivo amanhã. Por outro lado, é também um lugar onde, se você conseguir criar uma organização suficientemente escalável, veloz e inteligente, você pode desfrutar do sucesso sucesso exponencial em um nível nunca antes possível. E tudo isso com um mínimo de tempo e recursos.”, explicam os autores.

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Por: Stwart Lucena via Administradores.com