Especialistas expõem a fragilidade do Brasil aos ciber riscos

Setores mais afetados, comportamentos que contribuem com essas ocorrências, entre outros assuntos, foram destaque nas conferências do DCD Converged Brasil 2016.

A fragilidade do Brasil aos ciber riscos, tanto na esfera empresarial quanto da individualidade das pessoas, esteve entre os destaques das conferências apresentadas durante a oitava edição do DCD Converged 2016, evento organizado pela DatacenterDynamics e direcionado aos profissionais e empresas do setor de datacenters. O evento ocorreu nos últimos dias 8 e 9 de novembro, em São Paulo (SP).

Após a palestra de abertura do economista Ricardo Amorim, com o tema “A transformação digital e a economia brasileira: desafios, oportunidades e próximos passos”, seguiram-se as diferentes conferências temáticas programadas para o evento, entre as quais as de cibersegurança.

Carlos Guerra, Diretor de Relacionamento Institucional do ISACA (Associação de Auditoria e Controle de Sistemas da Informação, na sigla em Inglês), iniciou sua palestra com uma apresentação do Instituto e destacando três pontos principais: ameaças digitais emergentes, proteção de dados pessoais e governança de TI.

Em seguida, utilizou-se de inúmeros dados para ilustrar as crescentes ameaças digitais a que empresas e pessoas estão expostas:

  • Começou com uma pesquisa da IBM, sobre o perfil dos ciber riscos no Brasil e indústrias mais afetadas. De acordo com o comparativo, entre 2014 e 2015 o segmento de Assistência Médica alcançou o topo dos setores mais vulneráveis aos ciber riscos.
  • Já o setor de Serviços Financeiros, que antes ocupava a primeira posição, passou para a terceira no ano seguinte. “Isso mostra que os segmentos que percebem mais a sua exposição às ameaças digitais investem mais em segurança, ao passo que outros precisam estar mais alertas para essas ameaças. O crescimento da indústria farmacêutica nesse levantamento, por exemplo, está associado ao ‘roubo’ de propriedade intelectual, que vem crescendo na preferência dos hackers”, explicou o especialista.
  • Ainda de acordo com Guerra, os crimes virtuais referentes ao roubo de propriedade intelectual cresceram 56% em 2015.
  • Outro ponto destacado pelo especialista é que a origem dos ciber riscos, muitas vezes, pode estar dentro das próprias empresas. Empregados e ex-empregados, por exemplo, são respectivamente a primeira e segunda principais fontes de riscos de cibersegurança nas empresas. Entre as razões para isso podem estar o descontentamento com os empregadores, que às vezes levam os colaboradores a colocarem em risco a segurança das informações das empresas; ou a falta de atenção em relação às normas de segurança.
  • 45% dos colaboradores com menos de 30 anos, por exemplo, pouco se preocupam em observar regras de cibersegurança.

O Diretor do ISACA concluiu sua apresentação destacando que, apesar dos crescentes investimentos em cibersegurança no mundo, ainda há um grande déficit em comparação com os prejuízos que geram.

  • De acordo com números do Banco Mundial, foram investidos mais de US$ 30 bilhões em cibersegurança ao longo de 2015, enquanto os prejuízos causados por crimes virtuais alcançaram US$ 470 bilhões e podem atingir entre US$ 750 bilhões e US$ 2 trilhões nos próximos anos.
  • Os crimes digitais chegam a consumir até 0,8% do PIB global;

Em outra palestra sobre Cibersegurança realizada durante o evento, Ricardo Pedro, especialista em segurança da informação da Level 3, ressaltou o potencial destrutivo dos ataques DDoS, cujo terceiro principal alvo, em 2015, se tornou o Brasil. “Muitas empresas ainda acham que apenas ter antivírus é o suficiente para estar seguro contra ameaças virtuais”, alertou.

Ainda de acordo com o palestrante, a maior exposição internacional do Brasil por conta dos últimos grandes eventos realizados – Copa e Olimpíadas, por exemplo – estão entre os motivos que colocaram o País na rota dos principais alvos de ataques DDoS, que prejudicam, principalmente, o e-commerce. “Estamos às vésperas da Black Friday, onde o comércio chega a faturar, em apenas um dia, o equivalente ao faturamento de 40 dias ‘normais’. Imagina se um site fica uma hora fora do ar? É preciso investir mais em cibersegurança e qualificação profissional na área de TI”, ressaltou o especialista.

Maior evento de datacenter da América Latina

O DCD Converged Brasil é o maior evento dirigido ao mercado de datacenters na América Latina. Organizado pela DatacenterDynamics, o encontro reuniu mais de 90 especialistas, que serão responsáveis por mais de 50 conferências sobre o momento atual e perspectivas para o setor de datacenters no Brasil.