Comic Con: de encontro de fãs a negócio multimilionário

Sócio de Stan Lee, produtor de cinema brasileiro Frederico Lapenda explica a força dos eventos que estão hoje entre as principais vitrines de Hollywood.

Um pavilhão coberto, com estrutura para receber milhares de pessoas ao longo de vários dias. Espaço para stands. Painéis para transmissão de entrevistas e conteúdos audiovisuais, patrocinadores, venda de ingressos e agência de viagens exclusiva para quem vem de fora. Palestras, apresentações exclusivas, concursos diversos, que vão de ilustrações a cosplay. Além da presença ilustre de celebridades do mundo do entretenimento. Essa é a fórmula para uma Comic Con acontecer. O negócio de convenções sobre entretenimento cresceu ao longo dos anos e se tornou um modelo multimilionário, gerador de receita a todos que garantem seu espaço na feira.

Existem relatos de que a primeira convenção para quadrinhos foi em Birmingham, Inglaterra, no ano de 1968. Um grupo de fãs e profissionais de quadrinhos se reuniu em um hotel e denominou o encontro de “Comicon”. Mas foi em San Diego (Califórnia), no ano de 1970, que nascia o modelo de negócio que se tornaria um sucesso mundial, inicialmente chamado de The Golden State Comic Book Convention. Os fundadores Shel Dorf, Richard Alf e Ken Krueger realizaram uma convenção de três dias no mês de agosto, com um público de 300 pessoas no U.S Grant Hotel. Desde o início, o foco não era apenas quadrinhos e sim cultura pop como um todo, incluindo filmes e literatura de diversos gêneros.

Em 1974 aconteceu o primeiro Baile de Máscaras com fantasias feitas pelos próprios fãs, que se tornou o Concurso de Cosplay, como é chamado atualmente. Em 1991 a SDCC se mudou para o San Diego Convention Center, mesmo local onde a convenção é realizada até hoje. O evento foi tomando proporções importantes ao longo dos anos, chamando a atenção de Hollywood e seus astros, sendo um dos eventos de cultura pop mais importantes para o mercado e seus profissionais, gerando uma receita estimada de US$ 165 milhões a cada ano.

A conferência de Stan Lee

A lenda viva dos quadrinhos, Stan Lee, criador da Marvel, também possui uma convenção de cultura pop com seu nome, hoje realizada em Los Angeles. Sua primeira edição aconteceu em novembro de 2011, no centro de Convenções de Los Angeles (CA), reduto de cultura pop e experiência em entretenimento. Em sua última edição, o evento teve um público de mais de 75 mil fãs de todo o país, que puderam acompanhar lançamentos em quadrinhos, games e filmes. Hoje a Stan Lee’s Los Angeles Comic Con é a única convenção de propriedade e operação de ícones pop.

O Brasil no circuito

O Brasil também faz parte do circuito de cultura pop, e a primeira Comic Con foi realizada no ano de 2014, denominada como Comic Con Experience, em um pavilhão de 40 mil metros quadrados e um público de 92 mil pessoas. A convenção também cresceu com o passar dos anos, levando um público de 142 mil pessoas em 2015 e convidados ilustres como Frank Miller e Misha Collins. Em 2016 a edição brasileira da convenção ultrapassou o tamanho da Comic Con de Nova Iorque, com um espaço de 100 mil metros quadrados e um público estimado de 180 mil pessoas, com ingressos que variaram de R$ 150 a R$ 5.999.

O produtor brasileiro radicado em Los Angeles há 30 anos, Frederico Lapenda, que é o Chairman da Stan Lee’s Kids Universe, explica que “as Comic Cons têm varias funções além das promoções dos produtos, oferecem uma oportunidade de os fãs conhecerem seus ídolos, e uma forma saudável de diversão. Um programa que o pais vão com seus filhos, sendo igualmente divertido para ambos. Vamos ver o crescimento no setor cada vez mais”.

“Vivemos num mundo tão intenso, com tantos sonhos, que às vezes realizamos e outras não. Nesses eventos, os participantes se divertem e sonham. Realizar nossos sonhos: essa é a oportunidade que temos com essa vida que nos foi presenteada”, finaliza Lapenda.

Via Administradores.com